quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Cooper

Heitor cobriu o rosto com seu cobertor. Não tinha o mínimo ânimo para levantar. Seu celular não parava de tocar. Parou. O rapaz lentamente sentou-se na cama e pegou o celular ao lado da cama. "Lívia... O que ela quer tão cedo?", pensou o rapaz. Tinha uma mensagem.
"Me pegue às oito. Estou louca para comemorar meu aniversário e é claro, com você. Te amo."
Heitor deu um sorriso sarcástico e levantou.
Depois de escovar os dentes e comer, tentou retornar o telefonema da namorada, sem sucesso. A última noite na casa dele não tinha sido uma das melhores. Filho único, não quis ficar em casa sozinho. Ligou para um amigo, mas ele não poderia vir. Estava ocupado na preparação de um churrasco. Heitor ganhou um convite, mas não era um dia para enfrentar multidões.
"Correr. Claro, nada melhor para relaxar." Disse pegando os tênis. Desceu o prédio e seguiu correndo, pelos quarteirões. Pensava, pensava e subitamente precisou respirar, estava sem fôlego. Com a coluna curvada e com os olhos arregalados, Heitor apoiou as mãos nos joelhos e abriu a boca na intenção de facilitar a respiração. Na sua mente imperava uma imagem.
Estava próximo da casa e não faria mal uma visita. Tocou a companhia e uma mulher abriu a porta.
"Bom dia senhora Anita."
"Bom dia Heitor."
"A Júlia ainda está dormindo?"
"Não, entre que vou chamá-la."
Heitor sorriu com o convite e entrou. Orientado por Anita, sentou-se no sofá e mesmo que caminhasse para o corredor dos quartos Anita fez uma expressão desconfiada. Voltou até o rapaz.
"Hoje é a festa de aniversário da Lívia, não é mesmo?"
"Sim, senhora Anita."
"Heitor, eu acho você um ótimo rapaz, mas... estou preocupada. Heitor, a Júlia começou o dia tão bem. Não acha melhor voltar outro dia?"
Heitor abaixou a cabeça.
"Heitor, entenda que..." - e Anita foi interrompida por Júlia já próxima dos dois.
"Heitor? Que surpresa."
O rapaz sorriu.
"Eu só passei para dar um bom dia. Lívia pediu que eu confirmasse sua presença na festa."
"Somos tão amigas, por que eu não iria?"
"É eu sei, mas você conhece ela. Fica sempre querendo controlar tudo."
Júlia riu.
"Sei, mas ela mesmo poderia ter me ligado. Assim você não teria o trabalho de vir até aqui."
"Não é trabalho algum. Sabe como ela fica às vésperas do aniversário. Telefonemas, confirmações, empregados."
"É verdade."
"Bem Júlia, preciso ir. Senhora Anita, não se incomode que conheço a saída. Bom dia Júlia. Até mais, senhora Anita." disse o rapaz saindo pela porta e fechando-a.
No passeio começou a correr novamente. Júlia estava linda, como nunca. Correu mais rápido e com passos mais firmes. Não queria que o fôlego voltasse.

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